Sudeste concentra a maior parte dos jogadores de esports; como democratizar acesso?

O crescimento dos eeports no mundo inteiro é inegável, e o Brasil não fica fora dessa. Com atletas famosos, equipes de peso e presença em diversos jogos, o país é um dos polos mundiais e a pandemia não freou esse desenvolvimento.

Entretanto, é interessante notar uma informação que a Betway, site de esports bets, trouxe em levantamento. Dados de 140 jogadores foram analisados e mais da metade deles (58%) nasceram nos estados da região Sudeste: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, bem mais do que a porcentagem de pessoas que lá moram em comparação com outras regiões do Brasil (por volta de 44%).

Mais especificamente, São Paulo é onde a maioria dos atletas nasceram, com 64% considerando apenas os estados do sudeste e impressionantes 38% considerando todo o pool do levantamento publicado no Betway Insider, apesar de ter por volta de um quarto da população brasileira.

Dá para apresentar alguns argumentos que justificam essa disparidade, mas mais importante que isso é preciso entender como endereçar essa diferença. Não é um problema ter muitos paulistas dominando nos teclados e controles, mas é importante que pessoas de todo o Brasil tenham oportunidades e que não haja perda de talentos em outras regiões.

Sudeste tem a melhor infraestrutura

Com estados de grande representatividade para o PIB e histórica, o Sudeste é a região que mais recebeu investimentos ao longo da história. E isso se manifesta também na conectividade das pessoas com a internet. 

Mesmo em um cenário de avanços, o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2019 apontou que 82,7% dos domicílios brasileiros possuem acesso à internet, mas há diferenças grandes por região. O Sudeste lidera, e São Paulo tem 90% dos lares online, enquanto o Nordeste, apesar de grande crescimento entre 2018 e 2019 (ano da última pesquisa), ainda está em 74,3%.

Torneios e equipes do Sudeste

Voltando ao artigo da Betway, é apontado que Gustavo “yel”, da Bahia, e Bruna “bizinha”, do Rio de Janeiro, ambos jogadores do MIBR, tiveram que se mudar para São Paulo para construir suas carreiras e aproveitar oportunidades. Isso porque Rio de Janeiro e Bahia são dois estados de grande importância histórica e enormes cidades.

Com a infraestrutura de São Paulo, a grande presença de empresas, polos industriais e tecnológicos e conexão com o resto do mundo, é normal que as oportunidades fiquem concentradas e que equipes próximas a esses cenários mais efervescentes tenham maiores chances de patrocínios, apoios e a possibilidade de se desenvolver.

Maior poder aquisitivo no Sudeste

Por fim, os esports também estão inseridos no contexto socioeconômico do país. O Sudeste é a região com maior PIB e tanto São Paulo como Rio de Janeiro têm dois dos três maiores PIBs per capita do Brasil, com o Distrito Federal tendo a dianteira.

Um fator limitante dos esports é o custo dos equipamentos, dos jogos e o fato deles estarem ligados ao dólar, que teve enorme crescimento em comparação ao real. Tudo isso dificulta o acesso aos jogos de elite nos esports.

Como ajudar a democratizar o acesso e aproveitar todos os talentos?

É preciso ficar claro que o problema não é o Sudeste revelar muitos jogadores e sim que talentos do Norte e Nordeste, por exemplo, podem não ter a oportunidade de mostrar sua qualidade por falta de acesso.

Medidas como a Lei nº 188/2021, sancionada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, que reconhece os jogos eletrônicos como modalidade esportiva, ajudam. O incentivo à prática, medidas do poder público em parceria com empresas privadas, redução de tributos, organização de eventos e competições, tudo isso ajuda bastante.

Em um cenário mais macro, a criação de infraestrutura digital, conectando mais lares à internet, é algo vital, já que a exclusão digital é um dos grandes problemas do século XXI que precisam ser combatidos e a pandemia expôs essa desigualdade. Em um cenário de maior conectividade, apoio público e privado e ideias empreendedoras, toda a sociedade ganha, inclusive os futuros atletas dos esports.

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