O comentarista Richard Lewis não poupou palavras para criticar o IEM Rio Major e as decisões da ESL sobre o evento. Segundo o britânico, em um novo artigo escrito para o site Dexerto, o principal torneio da temporada foi “refém” do Gaules.

“Este foi praticamente um evento para os brasileiros conhecerem e interagirem com o Gaules. Que evento foi, não importa. Não importava que era um Major de CS:GO. Podia ser qualquer jogo com times brasileiros competindo que o resultado seria o mesmo. Nosso campeonato mundial ficou em segundo plano para a Fan Fest do Gaules”, afirmou Lewis.

Jeunesse Arena durante o Major (Foto: Reprodução/PGL)

De fato, em diversos momentos do Champions Stage, a Fan Fest estava mais cheia que arena, principalmente quando não tinha times queridos dos brasileiros jogando. Contudo, vale ressaltar que haviam diversas atrações no espaço destinado aos torcedores, como competições de Guitar Hero no stand da Vitality, cabine de fotos na tenda ESL e as lojas da FURIA e Fallen Store.

Para os torcedores, o IEM Rio Major foi um sucesso e um evento inesquecível, com muito a se fazer além do CS:GO. Contudo, para os espectadores que viram arquibancadas vazias em jogos importantes — como na semifinal entre MOUZ e Outsiders — pode ter soado diferente. Este ponto, inclusive, é debatido por Richard Lewis em sua crônica.

“Tenho que acreditar que a Fan Fest foi parte de um compromisso prévio, porque essa ideia é mais do que estúpida. Você coloca o maior influenciador de esports na parte de fora da arena ao lado de uma barraca de cerveja, com um telão gigante mostrando o jogo e com uma visão melhor do que em partes da arena. Além disso, os ingressos eram mais baratos. O que a ESL esperava que fosse acontecer?”, indagou o jornalista.

Lewis também criticou o fato de Gaules publicamente questionar a ESL sobre o raio-x sendo retirado das transmissões na arena, a fim de assegurar a integridade do jogo. Para o comentarista, essa atitude resultaria em uma demissão imediata para qualquer outra pessoa, exceto para o streamer.

“Claro, você não pode demitir Gaules no Brasil em um evento que tem uma área dedicada a ele e que as pessoas pagaram ingressos para isso. Você não pode nem sancioná-lo verbalmente, porque se ele for ao microfone e disser isso, você terá problemas. Tornar alguém assim a cara e a voz do seu produto é insanidade, mas é visto como o caminho para alcançar o coração e a mente dos fãs brasileiros e seus números enormes de audiência. Então, não seria surpresa se os executivos da ESL, na verdade, fossem pedir desculpa a ele por suas transgressões”, escreveu.

O jornalista também questionou o uso de duas frases que ficaram bastante populares durante o IEM Rio Major: “Eles nunca vão entender” e “Isso aqui vai virar o inferno”. Para Lewis, a primeira aliena os fãs brasileiros do resto do mundo, além de promover a discordância não mais por times e sim por região, enquanto a segunda incentiva a violência — ele inclusive citou o caso da cuspida que teve contra um membro da NAVI.

“Por que, após prometer uma festa, querer transformar o torneio em um ‘inferno’ é além da minha compreensão. Para mim, isso ecoa como o slogan ‘bem-vindo ao inferno’, associado ao passado sombrio e violento do time de futebol Galatasaray, algo que não deveríamos nunca querer perto de nossas competições”, comentou.

Por fim, Lewis isenta os fãs de culpa e afirma que os problemas apresentados no Major são de responsabilidade da ESL e principalmente do Gaules.

“Entenda, eu não culpo os fãs. Eles foram apresentados com a escolha de apoiar o jogo que amam ou o influenciador que amam e fizeram as escolhas que queriam. […] Muito da culpa está nas mãos de Gaules. Ele tinha a maior plataforma de CS:GO e usou isso para dividir os fãs, incentivar o nacionalismo e se recusou a promover os outros times presentes. […] Nunca, novamente, este modelo pode servir a um Major que, não importa o que Gaules disser, é para todos”, finalizou.