O impacto crescente dos esports na indústria gamer em 2025

Foto: Yan Krukau/Pexels

Os esports deixaram de ser um nicho para se tornarem um dos principais motores da indústria de jogos competitivos. Em 2025, campeonatos estruturados, investimentos milionários, novas ligas regionais e um ecossistema de criadores de conteúdo transformaram a forma como o público consome partidas, acompanha times e se relaciona com marcas do setor.

Mais do que “jogar profissionalmente”, os esports hoje movimentam transmissões ao vivo, casas de apostas, venda de produtos digitais e físicos, além de impulsionar toda uma geração de players que cresceu assistindo torneios em múltiplas plataformas.

Audiência fragmentada, mas mais engajada

Se antes o torcedor precisava escolher entre TV ou um único site de streaming, em 2025 a lógica é outra: campeonatos de League of Legends, Counter-Strike 2, VALORANT e mobile games são transmitidos em diferentes plataformas ao mesmo tempo, muitas vezes com coberturas oficiais, co-streams de influenciadores e watch parties comunitárias.

Essa fragmentação não significa perda de relevância. Pelo contrário:

  • a audiência se distribui entre YouTube, Twitch, redes sociais e plataformas proprietárias;
  • cortes e melhores momentos prolongam a “vida útil” das partidas;
  • criadores produzem análises, reacts e conteúdos educativos a partir dos mesmos jogos.

O resultado é um consumo contínuo. Uma final importante não se limita às horas de transmissão ao vivo: ela rende clipes virais, debates, estatísticas compartilhadas e campanhas de marketing baseadas em lances marcantes.

Gaules no IEM Rio 2023
Gaules é o principal nome dessa nova forma de consumo (Foto: Adela Sznajder/ESL)

Profissionalização e novos formatos de liga

Outro ponto-chave dessa transformação é a profissionalização das ligas. Jogos como LoL, CS2 e títulos mobile contam com calendários anuais bem definidos, contratos de longo prazo e equipes técnicas robustas, com analistas, psicólogos, fisioterapeutas e staff de comunicação.

Ao mesmo tempo, federações e entidades tradicionais do esporte passaram a olhar para o digital com mais seriedade. Um exemplo disso é quando a CBF anunciou retorno do eBrasileirão ao calendário, reforçando a estratégia de aproximar o público gamer do futebol por meio de competições virtuais licenciadas.

Esse movimento mostra que os esports deixaram de ser apenas “uma moda passageira” para se tornarem parte da estratégia oficial de ligas, clubes e patrocinadores. Para os jogadores, abre-se espaço para carreiras mais estruturadas; para as marcas, surgem novas vitrines para exposição e relacionamento com uma audiência jovem.

Arena da final do CBLOL em 2024 (Foto: Divulgação/Riot Games)

Apostas em esports ganham espaço

O avanço da regulamentação das apostas esportivas no Brasil também impactou diretamente o cenário competitivo. Com plataformas licenciadas, regras mais claras e maior fiscalização, o público encontrou um ambiente mais seguro para apostar — e os esports entraram de vez nessa dinâmica.

Segundo a Pesquisa Bets, que analisa o comportamento dos apostadores brasileiros, os esports já aparecem como a 7ª categoria preferida do país. O levantamento mostra que 12% dos brasileiros que apostam incluem partidas de jogos eletrônicos em seus tickets, um percentual significativo considerando o domínio histórico do futebol e de esportes tradicionais como basquete e vôlei.

Esse crescimento é impulsionado por fatores como:

  • oferta de mercados específicos para LoL, CS2, VALORANT e jogos mobile;
  • transmissões ao vivo integradas às plataformas de apostas em esports;
  • estatísticas atualizadas em tempo real para embasar decisões.

Do lado das operadoras, a resposta foi investir em tecnologia, atualizar odds com maior velocidade e ampliar o catálogo de campeonatos cobertos. Para o público, a familiaridade com o ambiente digital facilita a transição de espectador para apostador ocasional.

Ecossistema ampliado: criadores, hardware e produtos digitais

A transformação da indústria de jogos competitivos também passa por tudo que orbita os campeonatos. Streamers, analistas, narradores independentes e criadores de conteúdo ajudam a aquecer o interesse pelos torneios, explicam metas, introduzem novos espectadores e mantêm as discussões ativas entre uma grande final e outra.

Ao mesmo tempo, marcas de periféricos, componentes de PC, monitores e acessórios gamer aproveitam esse cenário para lançar produtos com apelo competitivo, muitas vezes assinados por times ou influenciadores. Skins, passes de batalha, coleções temáticas e outros itens virtuais completam o pacote, garantindo novas fontes de receita para publishers e organizações.

Famosa skin Dragon Lore virou mouse da SteelSeries (Foto: Divulgação/SteelSeries)

Essa engrenagem mostra que os esports não transformaram apenas a “cena competitiva”, mas todo o entorno da experiência gamer, indo desde de quem joga casualmente aos fãs que acompanham estatísticas, fazem apostas, compram produtos licenciados e seguem criadores diariamente.

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