Estudo brasileiro aponta punho e lombar como principais focos de lesão em atletas de esports

Foto: ChatGPT

Um estudo brasileiro publicado na Scientific Reports, revista científica do grupo Nature, acendeu um alerta sobre a saúde física de atletas de esports. A pesquisa analisou 365 jogadores com alto nível de engajamento competitivo e pelo menos 12 meses de experiência, e apontou punho, coluna lombar, mãos e dedos entre as regiões mais afetadas por lesões musculoesqueléticas relacionadas ao excesso de uso.

De acordo com o material, os participantes tinham idade média em torno de 20 anos, média de seis anos de prática em esports, rotina de cinco horas diárias de jogo e frequência semanal de seis dias. Assim, o levantamento traçou um perfil de alta carga de treino, algo que ajuda a explicar a recorrência de dores e afastamentos.

Punho lidera ranking de lesões entre jogadores

Entre as chamadas time-loss injuries — lesões que provocaram afastamento da prática ou redução do volume de jogo —, o punho apareceu no topo da lista, com 28,5% dos casos. Na sequência vieram a coluna lombar, com 20%, mãos, com 18,3%, dedos, com 15,9%, e pescoço, com 14,8%. O ombro também foi citado, com 9,6%.

Segundo o estudo, esses números consideram apenas os quadros que efetivamente impactaram a rotina competitiva, sem contar desconfortos que muitos jogadores seguem ignorando para continuar atuando.

Carga de treino aparece como maior fator de risco

A análise estatística também encontrou associação entre aumento do tempo de carreira, frequência semanal de partidas e risco de lesão. Cada ano adicional de prática elevou em cerca de 11% a chance de lesão no punho, enquanto cada dia extra jogado por semana aumentou esse risco em aproximadamente 18%. Já o excesso de horas por sessão foi relacionado a dores crônicas no pescoço e na lombar. 

O estudo ainda aponta que o problema é multifatorial. Além do volume de jogo, fatores como ergonomia, preparo físico, sono e estresse também influenciam o risco de lesão.

Homens x mulheres

Na comparação entre homens e mulheres, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na distribuição das lesões, o que sugere risco semelhante quando a rotina e a intensidade de treino são parecidas. 

Como prevnir as lesões

Com base nos achados, os pesquisadores destacam cinco frentes de prevenção: gestão de carga, ergonomia adequada no setup, fortalecimento específico, melhora do sono e acompanhamento profissional.

Entre as recomendações, aparecem pausas de 5 a 10 minutos a cada duas ou três partidas, ao menos um dia de recuperação total por semana e exercícios voltados para antebraço, punho, dedos, core e cintura escapular. 

O artigo científico tem como autor principal Cassius Iury Anselmo e Silva, foi liderado pelo fisioterapeuta Natanael Teixeira Alves de Sousa e contou com Vitor Kenji Issi como coautor e colaborador da pesquisa.

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