Bate-papo com Vitor Kenji, fisioterapeuta de esports de Team Liquid e Prodigy

O The Clutch conversou com Vitor Kenji (centro da foto), fisioterapeuta que atua nos esports pelas organizações Team Liquid Brasil e PRG (Prodigy Esports). O profissional nos contou como ajudou a introduzir a fisioterapia no cenário nacional, os principais problemas de longas horas de treinamento e sobre a estrutura das organizações quando se trata do bem-estar dos jogadores.

Fisioterapia nos esports

Fisioterapia nos esports foi novidade para a nossa redação. Nunca tínhamos visto. Como surgiu isso? Foi necessidade dos jogadores ou você que introduziu às organizações?

Em 2016, estava passando em um programa de TV uma matéria sobre os dois times finalistas do CBLoL daquele ano, CNB e INTZ. Nessa matéria, eles estavam mostrando a rotina da Gaming House dos times. Mais para o meio da matéria, a repórter mencionou que além dos técnicos e analistas, os times contavam com psicólogo e nutricionista na staff, e não falaram nada de fisioterapeuta. Então me veio a ideia de implementar a fisioterapia em times de esports.

Como foi a recepção das organizações? Houve algum tipo de receio por parte das equipes?

Quando me veio a ideia de implementar a fisioterapia nos esports, eu comecei a mandar emails para vários times do cenário. A INTZ foi o primeiro time a abrir as portas para a fisioterapia, isso em 2017. Em 2018, surgiu a oportunidade de ir para o CNB.

Em 2019, trabalhei com OPK, Flamengo, Prodigy e Team Liquid. E em todos os times que eu passei, a recepção tanto de jogadores e staff foi a melhor possível.

Saúde dos jogadores

Há de se esperar que os principais problemas dos jogadores sejam nos punhos e na coluna, pelo excesso de horas treinando/jogando. Há outras áreas do corpo que também são afetadas de forma mais direta?

Eu confesso que antes de começar a implementar a fisioterapia em times de esports, eu também pensava que a queixa principal de dor dos atletas era no punho. Porém, nesses três anos no mercado, a primeira queixa de dor dos atletas é na região lombar. Em segundo lugar na região cervical e em terceiro lugar nos ombros e cansaço nos olhos (por ficarem muito tempo olhando pra tela de computador e celular). Apenas em quarto lugar que vem o punho. Por último, a região do cotovelo.

Muito se fala em trabalho preventivo e não apenas em tratar depois que o problema aparecer. Essa é uma linha que você segue? Evitar lesões futuras?

Podemos falar que a fisioterapia nos esports tem três pontos importantes. Primeiro ponto: a parte preventiva, ou seja, dificultar ao máximo que o jogador tenha alguma lesão por esforço repetitivo; segundo ponto: tratar uma lesão o mais rápido possível. E o terceiro ponto é aumentar o desempenho dos atletas nos jogos.

Que tipo de recomendações você dá a quem passa horas sentado no exercício da profissão de atleta de esports?

Antes de começar os treinos, fazer exercícios de aquecimento. Sempre fazer pausas de uns 10 minutos entre uma partida e outra. Nos intervalos maiores, entre um treino e outro, fazer alongamentos e procurar ficar em uma postura adequada o maior tempo possível.

Quem é de fora, costuma atrelar a imagem dos esports a sedentarismo. Isso é uma verdade?

Hoje, a maioria dos jogadores vão pra academia ou fazem alguma outra atividade física. No time de Rainbow Six da Team Liquid, por exemplo, eles tem um personal trainer na staff. Então, acredito que aos poucos essa imagem de sedentarismo atrelado aos esports vai deixar de existir.

Como você avalia a estrutura das organizações hoje quando se trata de saúde mental e física dos jogadores? As equipes realmente estão procurando cuidar dessa parte?

As equipes que eu trabalho oferecem uma estrutura muito boa quando se trata de saúde mental e física, além de serem solícitas na parte da fisioterapia. Hoje, podemos ver que mais equipes estão se preocupando com a saúde dos jogadores. A maioria dos times tem um psicólogo ou um mental coach.

Em 2017, eu era o único fisioterapeuta nos esports. Já em 2020, Prodigy, Team Liquid, Flamengo, Team One, INTZ, Havan, W7M e Black Dragons possuem fisioterapeuta na staff, e esse número tende só a aumentar.

Primeiro contato e fã de jogos de luta

Quando foi que teve o primeiro contato com esports?

Desde a minha adolescência, eu gostava de jogar Street Fighter, Mortal Kombat, Marvel x Capcom 2 e The King of Fighters, então meu primeiro contato com os esports foi com a edição de 2013 da EVO.

Quais os jogos que você acompanha atualmente?

Atualmente acompanho League of Legends, Rainbow Six, Counter-Strike, Free Fire, Hearthstone, FIFA , Starcraft 2 e Street Figther 5.

Bom, chegamos ao fim das perguntas. Gostaria de deixar algum comentário ou agradecimento?

Primeiro agradecer aos meus pais, que foram essenciais por toda a minha educação. Agradecer a todos os times e jogadores que confiaram no meu trabalho, ao meu ex-chefe, Cesar Mabe, que além dar a primeira oportunidade de emprego quando eu era recém-formado, me ensinou muita coisa que agregou nos meus atendimentos. E agradecer também aos fisioterapeutas Ricardo Takahashi e Cassio Siqueira, que me receberam muito bem quando eu quis conversar sobre a fisioterapia nos esports.

 

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