O crescimento dos esports como indústria global também começou a se refletir no audiovisual. Com arenas lotadas, premiações milionárias e atletas cada vez mais profissionalizados, o cenário competitivo deixou de ser um nicho restrito à comunidade gamer e passou a despertar o interesse de produtoras, estúdios e plataformas de streaming.
Produções como documentários, séries e filmes dedicados ao cenário competitivo ajudam a traduzir para o grande público a rotina de jogadores profissionais, as rivalidades históricas, os bastidores de grandes torneios e a complexidade de um ecossistema que envolve organizações, publishers, patrocinadores, bets autorizadas e audiências globais. Ao longo dos últimos anos, essas obras passaram a funcionar não apenas como entretenimento, mas também como registro histórico de uma indústria em constante transformação.
A seguir, reunimos algumas das produções mais relevantes que ajudam a entender como o cinema e o streaming retrataram — e continuam retratando — o universo dos esports.
The King of Kong: A Fistful of Quarters (2007)
Embora anterior à era moderna dos esports, o documentário se tornou um clássico ao retratar a disputa por recordes no arcade Donkey Kong. A obra ajuda a entender as raízes da competição em videogames, explorando rivalidades, obsessões e a busca por reconhecimento — elementos que seguem presentes no cenário competitivo atual.
Free to Play (2014)
Produzido pela Valve, Free to Play acompanha a trajetória de três jogadores profissionais de Dota 2 rumo ao The International, torneio que se tornaria um dos maiores símbolos da profissionalização dos esports. O documentário evidencia os sacrifícios pessoais, a pressão psicológica e o impacto da competição de alto nível na vida dos atletas, além de registrar uma fase importante da consolidação do cenário competitivo.
All Work All Play (2017)
O documentário acompanha a 9ª temporada da Intel Extreme Masters (IEM), um dos circuitos mais tradicionais dos esports, oferecendo um retrato direto da rotina competitiva ao longo de diferentes etapas ao redor do mundo. Embora apresente o evento como um todo, a narrativa dá atenção especial às equipes de League of Legends, que servem como ponto central para mostrar a rotina de treinos, a pressão do alto nível e a disputa por resultados.
Ao registrar bastidores, deslocamentos e a estrutura por trás dos torneios, a produção ajuda a entender os esports como indústria, destacando o papel de organizadoras, publishers e patrocinadores.
Game Breakers (2019)
A série acompanha jogadores emergentes de diferentes regiões do mundo, destacando rotinas de treino, desafios financeiros e a busca por espaço em um cenário extremamente competitivo. O foco nos talentos em ascensão ajuda a ilustrar o caminho até o profissionalismo e as dificuldades enfrentadas fora do palco principal dos grandes torneios.
League of Legends: Origins (2019)
Produzido pela Riot Games, League of Legends: Origins documenta a criação do jogo e o processo que levou o LoL a se tornar um dos maiores fenômenos dos esports. A produção revisita os primeiros anos do projeto, a construção da comunidade e as decisões estratégicas que moldaram o cenário competitivo, oferecendo um panorama claro de como o jogo evoluiu de uma ideia independente para uma das ligas mais estruturadas e influentes do mundo. O documentário funciona como um registro histórico da profissionalização do League of Legends e ajuda a contextualizar o impacto cultural e econômico da modalidade.
Arcane (2021–2024)
Inspirada no universo de League of Legends, Arcane extrapolou o ambiente competitivo e se tornou um fenômeno cultural no streaming. A série ajudou a apresentar o universo do jogo a um público que nunca havia tido contato com os esports, ampliando o alcance da marca e reforçando o potencial narrativo de franquias competitivas.
Apesar do impacto global e do reconhecimento da crítica, Arcane encerrou seu ciclo com apenas duas temporadas. Ainda assim, o sucesso da animação ajudou a abrir portas para novas adaptações e projetos inspirados em universos de games. Paralelamente, a Riot Games já manifestou interesse em seguir investindo em animações ambientadas em outras regiões do universo de LoL, como Demacia, Noxus e Ionia.


Call of Duty é a nova aposta de Hollywood
O interesse de Hollywood por franquias competitivas ganhou um novo capítulo com Call of Duty. A Activision Blizzard confirmou que a série de jogos será adaptada para o cinema em um filme live-action, desenvolvido em parceria com a Paramount Pictures e a Skydance, estúdios com histórico recente em grandes produções de ação voltadas ao mercado global.
A escolha da franquia está longe de ser casual. CoD figura há mais de uma década entre as propriedades intelectuais mais lucrativas da indústria de games, sustentada por lançamentos anuais, uma base massiva de jogadores e pelo sucesso contínuo de Warzone, que ampliou ainda mais o alcance da marca para além do público tradicional.
Além do peso comercial, a franquia carrega um histórico relevante no cenário competitivo, com destaque para a Call of Duty League (CDL), liga oficial franqueada da modalidade. Esse conjunto de fatores torna o jogo um ativo atraente para o cinema, especialmente em um momento em que estúdios buscam universos já consolidados e com apelo junto ao público jovem.
Até o momento, poucos detalhes oficiais foram divulgados sobre elenco, cronograma ou enredo. A expectativa, no entanto, é que a adaptação dialogue com o tom realista e militar característico da série, aproximando o filme de grandes produções de ação contemporâneas e reforçando a tendência de transformar franquias de games competitivos em projetos audiovisuais de grande escala.
Com isso, Call of Duty se posiciona como mais um exemplo de como os esports e os jogos competitivos deixaram de ser apenas entretenimento interativo e passaram a ocupar um espaço estratégico dentro da indústria cultural e audiovisual.

