Opinião: As lições que o fracasso da MIBR nos ensinou

A MIBR foi um fracasso, né? Acho que isso podemos admitir. Por mais fanático que você seja pela equipe, não tem como negar o óbvio. Tudo o que podia dar errado com o retorno da tag deu. Não a toa o desfecho foi trágico: fer e TACO dispensados e FalleN “pedindo um tempo”, como naquele namoro que você empurra com a barriga até não aguentar mais ficar ao lado da pessoa.

Mas, se tem algo que aprendi na vida, é que os erros servem de aprendizado para crescermos. Sem eles, não saímos do lugar. E assim espero que seja para todos os ex-membros da MIBR. Que tenham aprendido durante a estadia da tag e que voltem melhores do que antes.

Mesmo estando longe e não participando do dia a dia, é possível ver que houveram inúmeros erros na caminhada da MIBR, alguns até reconhecidos pelos próprios jogadores.

Como não existe treinador?

Falem o que quiser, mas eu nunca vi um time profissional esportivo que não tenha um comando técnico. Chega a ser absurdo pensar nisso. Já imaginaram um Flamengo, um Los Angeles Lakers ou um Barcelona sendo gerido pelos próprios jogadores? É insano pensar nisso.

Na verdade, não precisa ir tão longe. Basta pegar qualquer time do top 30 da HLTV. Nenhum deles joga sem coach. N-E-N-H-U-M. Por que a MIBR seria diferente? Por que eles seriam especiais? Não faz o menor sentido em 2020 ainda termos a cabeça de um time amador. Talvez nem amador, pois o time de basquete que participo aqui do bairro tem um técnico.

Zews quando saiu da MIBR deixou bem claro que não se sentia confortável na posição. Mesmo tendo tido grande sucesso com a equipe em 2016, parece que algo havia mudado na relação entre os jogadores e o técnico. “Os problemas vividos por aqui são mais complexos, pesados e enraizados do que aparentam, e em minha visão, todas as soluções tendem a ser mais complexas também”, disse.

Se minha interpretação não é falha, acredito que o elenco simplesmente não confiava em zews. Não confiavam na função que lhe foi entregue, e isso é um problema sério. Você precisa confiar no seu técnico para que a equipe conquiste resultados.

Zews já se mostrou altamente capacitado para a função diversas vezes. Teve grande sucesso na LG, na Liquid e agora com a Evil Geniuses. O que faltou para ele na MIBR? Nunca saberemos, mas a desconfiança no trabalho de um técnico pareceu ser algo recorrente na equipe, como vimos com YNk, zews e no AMA do Dead.

Precisa haver gerência

Gaules pontuou precisamente em seu longo vídeo sobre a MIBR que a equipe não tinha uma gerência. Antes, Paulo Velloso era o grande representante da tag e quem “dava a cara a tapa”. Ele era o CEO, o manager, o PR, o zelador e o que mais você quiser atribuir. Fazia de tudo e mais um pouco.

Hoje em dia, quem é a MIBR? É o FalleN, é o TACO, é o rapaz que cuida das mídias sociais? Se entrarmos na Liquipedia, em tese o manager é o Lurppis, alguém que passa o dia todo no Twitter falando de mercado financeiro e Tesla. Não me parece uma pessoa muito engajada com a equipe. O CEO, Ari Segal, que entrou no lugar do Noah Whinston, nunca nem vi. Se me mostrarem uma foto dele, não saberei dizer quem é.

Mais uma vez, chega a ser insano pensar que uma equipe profissional é gerenciada pelos próprios jogadores. Não consigo acreditar nisso. Se você assistiu “The Last Dance”, o documentário do Michael Jordan, viu muito bem quem comandava o Chicago Bulls. Não era MJ, nem Scottie Pippen, nem mesmo Phil Jackson, era um baixinho chamado Jerry Krause.

Claro que os jogadores tinham alguma influência na escolha do elenco, mas não a palavra final. Nem mesmo Jordan, o maior de todos os tempos, batia de frente com Krause.

O peso da torcida e as redes sociais

Somos malucos, não tem outra explicação. Só loucos acordam 7 horas da manhã numa quarta-feira para assistir um time em plena decadência. E o pior é que não são poucos, são 50 mil pessoas completamente doidas.

Brincadeiras a parte, a torcida de CS:GO é algo incrível. Lotamos um Maracanã em plena semana em um horário totalmente improvável disso acontecer. A torcida é louca, é fanática, é linda, mas também cobra, xinga e passa dos limites. E isso pôde ser visto na última stream do fer.

Segundo o próprio, pela primeira vez na vida ele sentiu o peso da torcida, e principalmente do hate. E isso tem uma consequência muito séria no desempenho do jogador. Ele passa a se cobrar mais, passa a querer resultados mais rápidos e tenta pular alguns degraus na caminhada. Falo isso, inclusive, por experiência própria. Como jogador profissional de poker, às vezes chego no limite de querer cortar meus punhos quando as coisas não vão bem. Me cobro a perfeição, e obviamente ela nunca vai existir.

Portanto, se a torcida está atrapalhando, está afetando o seu desempenho, qual seria o certo a fazer? Se desligar dela. Deixar as redes sociais, deixar o Twitter e o Instagram de lado. Focar em si e quem sabe voltar melhor.

Nessa parte, um psicólogo, um coach ou até mesmo um gerente teria um papel muito importante, em controlar o que pode ser dito, o quanto usar das redes. Mas, se você se auto-gerencia, acaba fazendo o que quiser. Como o próprio fer disse, “eu gosto de fazer isso, então vou continuar fazendo”, mesmo que me faça mal. Ele diz que faz bem, mas será mesmo?

Por fim…

A conclusão que chego disso é que a MIBR tropeçou em suas próprias pernas. Acreditou em uma fórmula que deu certo em 2017 e ficou cega: sem coach, troca de membro quando tem alguns resultados ruins e cai pra dentro do game. O único problema é que o jogo evoluiu de uma maneira absurda entre 2017 e 2020 e eles ficaram para trás. Não em habilidade, mas em pensamento.

Os erros foram se acumulando tanto que chegou a ponto de ter uma “intervenção externa”. A Immortals finalmente resolveu atuar. Desnorteado, FalleN pediu para sair. Acredito que ele nunca havia experimentado tal interferência a esse ponto. Isso me mostra que, a princípio, ele não aprendeu com erros.

Mas, como o verdadeiro vai tirar um tempo para “pensar na vida”, talvez ele reflita melhor e veja que, apesar de ter conquistado o mundo anteriormente, o paradigma mudou e que mudanças profundas serão necessárias para seguir adiante, principalmente em pensamento.

5 COMENTÁRIOS

  1. Falou tudo e mais um pouco. Acertou nas palavras.
    Eles estão se achando muito e não estão colocando os pés no chão. Humildade passou longe pra poder reconhecer os próprios erros. E estao achando que rstao certos ainda…

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