Análise: Call of Duty: Vanguard é experiência frenética e divertida

Foto: Reprodução/Activision

O ano de 2021 da Activision é turbulento. Isso porque a empresa está respondendo a diversos processos criminais por acusações de assédio, discriminação e outros tantos absurdos relativos a um ambiente de trabalho insalubre. Sob esse contexto, o lançamento de Call of Duty: Vanguard era visto com olhos desconfiados por todos. Afinal, com tantos problemas administrativos, a empresa conseguiria entregar um jogo à altura da franquia?

Bem, a Sledgehammer Games, desenvolvedora do jogo e braço da Activision, se posicionou sobre toda a situação e garantiu que a equipe envolvida em Vanguard possuía uma mentalidade totalmente oposta em relação às atitudes da empresa-mãe. Assim, os fãs puderam, com (um pouco) menos desconfiança, se mostrar receptivos ao jogo lançado em novembro.

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Em Vanguard, a Sledgehammer Games tentou trazer um novo ar da Segunda Guerra Mundial, apresentando uma narrativa que mescla história e ficção. Assim, somos apresentados a um grupo de combatentes inspirados em heróis da vida real, mas que irão enfrentar um grupo fictício dentro do sistema nazista, que protegem um plano que indica o sucessor de Adolf Hitler.

Campanha de Vanguard acerta nos personagens

Foto: Reprodução/Activision

Verdade seja dita que, após tantos jogos do gênero lançados, é difícil trazer uma abordagem inédita e fresca sobre a Segunda Guerra Mundial. Vanguard até tenta, mas os clichês de sempre estão lá: o engraçadinho da gangue, o capitão destemido que de alguma forma sempre irá salvar seu esquadrão, entre outros. Não há grande destaque sobre a história de Vanguard em si. A proposta da Sledgehammer foi trazer um jogo extremamente realista, mas em seu enredo, Vanguard não se diferencia tanto de outros jogos de guerra.

Entretanto, o grande acerto da campanha também se encontra no realismo. Isso porque os quatro soldados do grupo são baseado em pessoas reais, o que faz com que a gente se preocupe com o destino de cada um deles. Por exemplo, Polina Petrova foi inspirada na soviética Lyudmila Pavlichenko, apontada pelos historiadores como a franco-atiradora mais letal da história.

Dessa forma, Vanguard traz personalidades construídas em relatos reais, e assim, nos engajamos com a história dos quatro membros daquele “Esquadrão Suicida”. A cada cutscene em que existe o risco de um deles ser assassinado, a tensão toma o jogador.

Mas a verdade é que essa preocupação só acontece porque a campanha de Vanguard foca muito no passado de cada um daqueles soldados e não tanto na história “principal”. A sensação ao acabar o jogo é de que algo ficou faltando e que o modo campanha parece ainda menor do que ele realmente é.

Vanguard brilha nos aspectos técnicos

Foto: Reprodução/Igor Oliveira

Se cabe ponderar diversos aspectos da história de Vanguard, o mesmo não pode ser feito em relação à produção técnica do jogo. A gameplay apresenta belíssimos gráficos, com um realismo impressionante. Além disso, no caso do PlayStation 5, o jogo faz um bom uso dos sensores hápticos do DualSense, com a imersão sendo incrível, enquanto as balas voam pelo cenário e você troca tiro com nazistas safados.

Quanto às cutscenes, essas são ainda mais impressionantes nos aspectos visuais. Fica fácil acompanhar o enredo e se envolver com os personagens, enquanto assiste cenas que parecem saídas de filme. A dublagem brasileira está boa, mas a original ainda é superior.

Aliás, o jogo é bem localizado, portanto é tranquilo também para quem quer jogar com a plataforma totalmente em português.

Modo Zumbi garante pouco tempo de diversão

Foto: Reprodução/Igor Oliveira

Uma das grandes diversões que o modo Zumbi, desenvolvido pela Treyarch, trouxe a Call of Duty era a sensação de tensão ao ter que eliminar hordas atrás de hordas. Isso se perde em Vanguard, uma vez que o jogo traz o sistema de missões. Até que essa mecânica poderia dar certo, se não tivesse sido trazida sem história alguma para acompanhar.

O modo é apresentado com uma bela cutscene que apresenta o general nazista Von List utilizando de artefatos mágicos para trazer soldados nazistas mortos de volta à vida. Até fica a sensação de que as missões irão seguir uma história bem feita, mas não é o caso. Você realiza missões e fica por isso mesmo.

Dessa forma, a grande decepção de Call of Duty: Vanguard é o modo Zumbi.

Multiplayer é o grande acerto de Vanguard

Se a Campanha e o Modo Zumbi podem decepcionar, o mesmo não pode ser dito do multiplayer. Aqui, Vanguard acerta em cheio, antes mesmo do lançamento de Pacific Warzone. Aliás, é tanta a variedade no modo multijogador que de inicio pode até te intimidar, pelo menos foi o que aconteceu comigo.

Modos de jogo

Foto: Reprodução/Igor Oliveira

Vanguard traz os modos clássicos conhecidos: Mata-Mata em EquipeBaixa Confirmada Dominação. Além disso, temos o retorno do modo Blitz. Por fim, a novidade fica por conta do Batalha dos Campeões e Patrulha.

Na Batalha dos Campeões, os jogadores são divididos em duplas, com 12 vidas por equipe. Assim, os times se enfrentam até que só reste um, com pausas entre as rodadas para compra de melhorias, utilitárias e afins. Já em Patrulha, temos um ponto de foco em movimento o tempo todo, com as equipes precisando dominar aquele espaço.

A regra do multiplayer de Vanguard é a trocação de tiro frenética e caótica, com a exceção sendo o Batalha dos Campeões. Fora esse, todos os outros modos trazem uma gameplay extremamente agitada. Isso porque o respawn após a eliminação é quase imediato e ininterrupto, sendo necessário se movimentar o tempo todo para não morrer em sequência logo após nascer outra vez. Além disso, existem fatores como granadas e até mesmo cachorros atacando.

Boas possibilidades de progressão

Foto: Reprodução/Igor Oliveira

Quando comecei a jogar online, eram tantos mapas (20 no total) que apareciam na rotação do modo de jogo rápido, que eu ficava perdido. Mas se isso atrapalha no inicio, é um acerto para o longo prazo. Podemos falar com tranquilidade que o multiplayer de Vanguard pode ter uma boa vida útil.

Além dos mapas, as armas recebem uma gama grande de customização. É possível equipar até 10 acessórios em cada equipamento. Assim, você pode montar o seu armamento de forma a fortalecer o seu estilo de jogo. São 38 armas disponíveis no lançamento, então faça o cálculo de como é possível diversificar o estilo de jogo.

Aliás, o senso de progressão nunca esteve melhor em Call of Duty. Isso porque, além dos armamentos, os Operadores também possuem um desenvolvimento próprio. São 12 Operadores, cada um com níveis, poses, skins, gestos finalizadores e mais característicos. Claro que o crescimento no seu poder de fogo é o principal, mas jogos como Fortnite já demonstraram que haver uma evolução cosmética também é bastante interessante.

Por fim, existem as Vantagens e as Melhorias de Campo também disponíveis para serem desbloqueadas à medida que você progride. As Vantagens são melhorias temporárias que podem ser utilizadas em campo, com 18 opções disponíveis. Já as Melhorias de Campo são opções que aparecem ao longo das partidas que ajudam a sua equipe, como por exemplo reabastecer a munição de todos.

Nem tudo são flores

Obviamente que com tantas variedades, os problemas aparecem. No caso do multiplayer, com tanta variedade de equipamentos, armas, mecânicas de progressão, o desbalanceamento acaba aparecendo frequentemente. Não é raro encontrar algum jogador com uma arma totalmente ‘overpowered’. Além disso, as Vantagens também precisam ser trabalhadas. Contudo, é válido pontuar que estes problemas são solucionáveis com a progressão da temporada de Vanguard, algo que não pode ser dito da campanha.

Em suma, Call of Duty: Vanguard acerta no multiplayer, mas traz uma campanha genérica e peca no Modo Zumbi. Se você curte jogar online com os amigos, Vanguard é uma boa pedida, trazendo uma diversão frenética e caótica.

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