Opinião: As lições que estamos aprendendo com o sucesso da FURIA

Recentemente, lancei um artigo chamado “As lições que o fracasso da MIBR nos ensinou”. Ele teve ótimas visualizações, afinal, a “desgraça” é um grande motivador para cliques. Não a toa jornais do mundo todo dão ênfase a mortes, destruição, guerras e diversas coisas ruins. Infelizmente, como seres humanos, somos atraídos constantemente para o lado negro da força, e Luke Skywalker só existe um.

Porém, tão importante quanto ver os erros e os fracassos, é entender o que deu certo. As coisas boas moldam um futuro melhor para nós e também merecem um lugar de destaque. Por isso, hoje irei falar da Tekpix, quer dizer, da FURIA.

Vejam bem, irei falar da FURIA mais como organização, abordando assuntos específicos da parte de CS:GO, que é onde tenho mais contato. Portanto, deixem de lado coisas que tenham acontecido in-game ou em outra modalidade. O foco aqui é o que está além do jogo e no que isso representa para o sexteto que está nos Estados Unidos.

Projeto de longo prazo

Sabendo quem está por trás da FURIA, é fácil entender porque eles focam tanto em longo prazo. André Akkari, como um experiente jogador de poker que é, sabe que a vida é uma grande analogia ao jogo de cartas. No poker, só se dá bem quem pensa adiante.

A filosofia por trás do esporte da mente é que as pequenas vitórias cotidianas importam muito mais do que os grandes triunfos. Ou seja, de grão em grão a galinha enche o papo. E isso se reflete no controverso contrato de 5 anos assinado pelo jogadores da FURIA.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, para mim esse contrato é excelente para os jogadores, e explico o porquê. O primeiro motivo é que ele traz segurança.

O sonho de muitos brasileiros é se tornar funcionário público, já que um emprego no estado proporciona a famosa “estabilidade”. Com isso, se olharmos a fundo, um contrato de 5 anos exerce essa mesma função, porém durante o período estabelecido.

Veja bem, você tem a garantia de que irá receber um salário fixo por 5 anos. Portanto, pode fazer tudo com mais calma e planejar adiante. Ou seja, pode focar no longo prazo, assim como um jogador de poker bem sucedido.

Para me fazer entender melhor, pense no contrário: imagine que você assinou um contrato de apenas um ano. Em seu subconsciente, irá se ver obrigado a mostrar bons resultados em um curto período de tempo. Assim, jogará pressionado e buscando recompensas imediatas. Ou seja, estará focando toda sua energia no curto prazo, sem pensar adiante.

O segundo motivo é que ele não impede o contratado de absolutamente nada. Isso foi perfeitamente visível no caso ableJ, que jogou por um tempo para a W7M.

Em entrevista ao The Clutch, Jaime afirmou que o jogador não está se sentindo motivado em deixar organização por enquanto e por isso não atua em nenhum time. Sabe por que? Porque ele tem uma segurança. Com ela, poderá escolher a melhor proposta para ele e para a FURIA quando vier.

Mas, se ableJ não tivesse assinado o tal contrato, será que teria tanto tempo assim para escolher seu caminho? Sabemos como decisões precipitadas podem destruir o futuro de um jogador.

A importância do representante

No artigo da MIBR, citei o quão importante é uma organização ter alguém que a represente, que leve seus valores para a torcida, jogadores, staff e demais. Ou seja, o quão importante é ter um líder, alguém que mate as bolas no peito.

Na FURIA, essa pessoa se chama Jaime. E digo isso por experiência própria. Quando estive na DreamHack Rio, pude ver o quanto o CEO é próximo de seus jogadores. Jaime parecia um segurança ao lado do time. Onde os meninos fossem, ele estava atrás.

A paixão que ele tem pela FURIA era nítida em suas ações. E quando se tem uma pessoa assim, aliada a uma gestão competente, coisas extraordinárias podem acontecer. Quer um exemplo? Se tornar a primeira organização de esports do mundo a fechar contrato com a Nike.

Pessoas assim contagiam a todos. Quem não adora Mark Cuban na torcida do Dallas Mavericks (NBA) ou Jason Lake chorando e vibrando com a Complexity? Líderes apaixonados transformam seus liderados e todos a sua volta.

Jason Lake chora ao vencer a BLAST Premier

Quando se ama o que faz, é tudo mais intenso! Jason Lake, CEO da Complexity, se emociona com a conquista da BLAST Premier Europa, o primeiro grande título da equipe em 10 anos.A última grande conquista da organização havia sido em 2010, quando venceu o Intel Extreme Masters V American Championship. Curiosamente, o elenco da época era formado por nomes muito conhecidos pelos fãs: FalleN, fnx, nak, bit1 e bruno.

Geplaatst door The Clutch CS:GO op Maandag 22 juni 2020

União faz a força

Como já disse, a FURIA é focada no longo prazo. Akkari cansa de falar isso e sei que parte dessa “doutrinação” é tentar ensinar aos brasileiros que é necessário ver um futuro mais longo, mais difícil de enxergar.

Infelizmente, não somos um povo muito educado, e isso se reflete nesse nosso desespero por resultados imediatos. É difícil ver uma livraria cheia, mas a lotérica está sempre com filas.

Desde o início de 2018, a FURIA fez apenas uma alteração em seu elenco: a entrada de HEN1 em 2019 para o lugar de ableJ. Sabe qual outro time também só fez uma alteração de elenco em um espaço de dois anos? Sim, esse mesmo que você está pensando: Astralis.

Antes de se tornar a maior potência do Counter-Strike, a Astralis bateu inúmeras vezes na trave. ELEAGUE S2, StarLadder S3, ELEAGUE Premier, BLAST Premier são alguns exemplos. Porém, uma coisa era nítida para quem acompanhava: a equipe parecia sempre em evolução.

Hoje, o “padrão Astralis” pode ser muito bem visto na FURIA. O time não é aquele que você vai dizer “é o melhor do mundo”, assim como não falávamos para os dinamarqueses em 2017, mas a sensação que temos é que a cada dia os meninos estão um pouco melhor.

Se lembra do lance da galinha e dos grãos? Então.

6 COMENTÁRIOS

      • Deixando de lado a hipótese de que Neymar teve influência ou nao. Não é preciso ser muito inteligente para saber que na ÉPOCA que a Nike firmou contrato com a Fúria, ainda tinha contrato com Neymar né?!

    • Precisa ser muito inocente pra não saber que contratos comerciais funcionam na base de relacionamento interpessoal e proposta de entrega pelo time patrocinado. A nike não fecha contrato por amizade, mas com certeza o relacionamento e o resultado do trabalho apresentado ajuda isso a acontecer.

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