As multas milionárias e o efeito no CS brasileiro

O cenário de Counter-Strike está em constante mudança. Geralmente, times se mantém juntos por aproximadamente 5 meses e trocam um ou mais jogadores de sua formação. Isso se dá ao fato de que o jogo passa por frequentes alterações, as formas de abordar as partidas mudam, e alguns jogadores acabando não acompanhando todas essas mudanças.

Estas trocas representam uma boa parte do dinheiro movimentado no cenário. Organizações compram, vendem e demitem jogadores com uma rapidez, que muitas vezes impressiona. Tamanha facilidade em simplesmente mudar o que não deu resultado imediato, ao invés de fazer um trabalho a longo prazo que, certamente, daria muito mais frutos ao time.

Acho que todos lembramos de quando FalleN e companhia tinham um grupo inteiro formado por brasileiros. Provavelmente, isso trazia muito mais orgulho para nós torcedores brasileiros, que admiram o jogo, os players, a história deles, as conquistas e a jornada que eles tiveram para chegar ali.

Quando o TACO se afastou (ou foi afastado, entenda como preferir), com certeza outros brasileiros foram sondados, mas não vou especular nomes. S1mple, Flamie, Rain e outros vários nomes surgiram na mídia, mas quem chegou foi Stewie2k. Não que Stew seja mau jogador, longe disso, mas ele acabou mudando muito a cara do time e seu próprio estilo de jogo.

Stewie não foi o culpado dessa mudança, pelo contrário. Também não acho que FalleN, nem Coldzera foram culpados. Eu aponto uma parcela grande de culpa aos donos de organizações. Vou explicar o porquê:

Se lembram quando kNg, Lucas1 e Hen1 saíram da Immortals? Certamente que sim. Boltz e Steel seguiram lá e o reserva Horvy foi promovido ao time titular. Ainda faltavam dois players, e provavelmente vocês também lembram da sondagem aos jogadores da Team One, TRK e Maluk3.

Maluk3, jogador da Team One (Foto: HLTV)

Noah Winston, CEO da Immortals (e agora da MIBR) afirmou na época das negociações, que o valor pedido pela Team One, representada por Kakavel, era muito acima do esperado, por volta de um milhão de dólares pelos jogadores.

Com a saída de Boltz da MIBR, novamente os rumores começaram a surgir. Sabemos que o escolhido foi Tarik, mas será que foi a primeira opção? Também sabemos que Stewie já não tinha sido a primeira, mas talvez a melhor disponível.

Foi dito por jornalistas, analistas e até players que as multas rescisórias dos contratos de alguns jogadores brasileiros eram altíssimas, e chegavam atingir a casa dos sete dígitos de dólares. Essas afirmações foram assimiladas por Kakavel, que se pronunciou, explicando a Lei Pelé. Basicamente, uma lei esportiva que permite o jogador ter uma multa rescisória de até 2.000 vezes maior que o salário dele.

Um exemplo: se o salário de um jogador é de mil dólares, a multa dele pode ser de 2 milhões de dólares. Se tiver um salário de 3 mil dólares, sua multa pode chegar a 6 milhões de dólares, e assim por diante. Fato: para a multa rescisória dos players ser alta desta forma, significa que devem ser bem pagos e isso é um ponto ótimo na análise. Mas, será que esse valor é correto?

Bom, foi confirmado por Dead e Fer que o boato de que a Team One pediu valores altíssimos em TRK. Portanto, que dono de organização, como Noah, em sã consciência, pagaria quase um milhão de dólares para ter uma promessa brasileira, quando se pode trazer um jogador americano que já é realidade por muito menos? Boatos também afirmam que o jogador S1mple, da Natus Vincere, foi avaliado em 500 mil dólares, ou seja, metade do que foi pedido pela organização brasileira.

Isso apenas confirma o fato de que, jogadores brasileiros são supervalorizados, amparados por uma lei que só funciona no futebol, onde clubes usam deste artifício para não perder jovens jogadores a times europeus. Mas não sejamos hipócritas ao ponto de criticar a postura dos donos da Team One. Quem não faria o mesmo se estivesse no lugar?

Tenho certeza que todos colocariam, amparados pela lei, uma multa no valor máximo permitido, para não perder o player para qualquer organização que o venha sondar. Isso é legal (da forma jurídica da palavra), mas talvez não seja moral, por dois pontos:

1- Impede que o jogador tenha o poder de escolha: tendo uma multa desse valor, ninguém vai querer pagar praticamente um milhão de dólares para quebrar o contrato dele com a organização, e isso é bem triste, pelo lado de que o jogador, muito provavelmente, terá que cumprir o contrato até o fim, sem a opção de se transferir, pelo valor surreal de sua multa contratual.

2- Atrapalha o desenvolvimento do CS brasileiro: entenda que eu disse CS brasileiro, não cenário, são coisas diferentes. O cenário brasileiro são os times que atuam, disputam campeonatos e se formam aqui. O CS brasileiro é formado por qualquer jogador ou coach que é nascido no Brasil. Uma multa grande impede que, por exemplo, a MIBR leve TRK ou qualquer outro jogador para a line-up, o que leva a organização a contratar outros jogadores para suprir a ausência desses que não puderam aceitar a transferência. Foi o que citei anteriormente, no caso de TRK e Maluk3 irem para Immortals em 2017. Aquilo, com certeza, gerou insatisfação para os players, que, acho eu, queriam muito jogar internacionalmente naquele nível.

Como já disse, acho que ninguém está errado em situações assim. Vejo que os donos fazem o possível para manter o player em contrato e, se ele for vendido, lucrar o maior valor possível para repor a peça perdida e ajudar a organização a crescer.

Jogadores promessas, que se destacam aqui no Brasil, sempre serão sondados por times que atuam fora do país, isso é fato, igual no futebol. Essa sondagem gera muita exposição para o atleta, que muitas vezes, não tem preparo emocional para lidar com a situação.

Portanto, é preciso pensar antes de fazer trocas na line-up. Para os jogadores, é preciso pensar muito, e de preferência consultar um advogado, antes de assinar um contrato desse, que pode comprometer anos de sua carreira, muitas horas de trabalho e esforço, para quem sabe, mais em frente, poderem seguir o sonho de serem lendas como FalleN e cia., ou até mesmo atuarem ao lado deles.

A multa rescisória é mais um avanço para o cenário de Counter-Strike, pois traz segurança, seriedade e profissionalismo ao jogo, o que não podemos é deixar as line-ups e jogadores reféns deste processo, que pode, e vai, atrapalhar muito a progressão do Brasil mundialmente, vide MiBR com apenas três brasileiros.

 

*Este artigo representa somente a opinião do autor, não necessariamente representando a visão do site.

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Comentários 7
  1. Algumas Organizações internacionais e até umas nacionais, mantém line reserva ou base justamente para ter essa reposição de jogadores. e nao pagar um preço “absurdo”.

  2. Tem que colocar multas absurdas se não vai acontecer igual no dota2. Uma empresa investe 3 anos nos jogadores e eles não levam nem 3minutos para irem para a pain ganhar mil reais a mais de salario

  3. Cara, me desculpe mas você falou bosta, Não é porque tem a multa, que a multa tem que ser cobrada integralmente, se um jogador não quiser ficar no time dificilmente a multa vai segurar ele. Já para as equipes é algo para que elas se mantenham, visto que a principal fonte de renda delas normalmente é essa, G3X acabou pq Noah veio, pegou steelega sem multa não quis pagar nada, nem fazer um acordo para ter uma categoria de base aqui, o acordo proposto a ele seria pagar algo em torno de 4 mil dolares por mes, coisa que para uma org como a IMT não é nada, e ele não precisaria pagar a multa dos jogadores que ele precisasse e ele não quis. Resultado, G3X acabou, as multas tem que ser altas, e os times negociam, aposto que se o TRK quisesse mesmo ir para a SK/MiBR teriam negociado para baixar a multa.

  4. O exemplo de calculo está exemplificado errado. 2000x, se o salario e 1 mil, a multa seria 2 milhoes e nao 20 mil ( considerando o valor maximo)

  5. Baita artigo é de se pensar bastante, é um pouco daquele “investimento na base do futebol”, fazer o pequeno ser e ter a melhor oportunidade pra isso. Muito maneiro. Parabéns

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