Opinião: o fracasso do FACEIT Major

Este artigo não representa a opinião do site, refletindo somente as convicções de seu autor.

É comum vermos sucessos e fracassos na vida, principalmente em competições, em que apenas um é consagrado como vencedor. Os Majors de Counter-Strike não são diferentes disso. Em cada evento esperamos mais, pois a tecnologia avança e o mundo evolui, especialmente porque somos fãs apaixonados pelo jogo. Sempre queremos o melhor.

No último Major, FACEIT London 2018, aprendemos com os acertos e falhas que vimos no evento. Claro que nada nunca é perfeito para todos, mas será que foi o torneio que esperávamos?

Falhas técnicas

Ficou nítido para quem acompanhou que as falhas operacionais foram muito presentes no evento organizado pela FACEIT. A parceria com a PGL apenas evidenciou os problemas estruturais que as organizações enfrentaram para realizar um torneio da magnitude de um Major do CS:GO.

Principalmente no New Challengers Stage, vimos falhas técnicas que duraram até meia hora. Problemas com internet, computadores e atrasos nas partidas acarretaram no desinteresse do público pelo evento e apenas tornaram a disputa menos interessante.

Computadores

Como espectadores, não podemos afirmar que as máquinas utilizadas eram ruins, mas ao ver vários jogadores reclamarem dos equipamentos, fica óbvio a negligência das realizadoras em sediar um histórico Major, que ficará marcado como um dos piores da história – se não for o pior.

Pelo twitter, o ex-jogador da North, MSL (que atuou como IGL no Major), falou um pouco sobre sua experiência com os equipamentos fornecidos pela produtora:

“Honestamente, o pior major que eu participei. FPS ruim o campeonato inteiro, fones ruins nos primeiros dois rounds, não consegui ouvir passos de companheiros e inimigos, usei 20 minutos em um jogo decisivo para classificar “testar passos” quando você confia tanto no som e não tem certeza que está funcionando”.

Atrasos

Como citado anteriormente, as falhas técnicas e operacionais do evento geraram atrasos. No primeiro dia de disputa, Astralis e compLexity estavam programados para jogar às 22h do horário de Londres, mas a organização preferiu adiar o jogo para o outro dia pela manhã, às 10h, por problemas ocorridos em partidas anteriores, que atrasaram todo o cronograma de partidas.

Dupreeh, jogador da Astralis, reclamou de forma leve pelo twitter sobre os atrasos acontecidos no primeiro dia de evento:

“Adiaram nosso jogo contra compLexity até amanhã cedo. Uma pena que isso aconteceu. Espero um dia ótimo amanhã! Boa noite a todos”.

Imagine a situação que os times ficaram. Você se prepara, treina, dorme no horário certo, descansa e faz tudo para jogar às 22h e descobre que seu jogo será pela manhã. Tem toda uma logística dos times, das organizações que pagam seus jogadores para estarem ali. Não é simples, não é fácil estar em um Major. FACEIT (e PGL também) deveria ter vergonha de postergar um jogo para o dia seguinte em um evento desse tamanho. Isso não é Matchmaking, é um Major!

Falta de interesse

Quando pensamos em Major, logo vemos partidas eletrizantes, torcidas ensurdecedoras, jogadores incríveis e times com inúmeros fãs. Ao vermos o evento de Londres, percebemos o quanto a comunidade não criou a expectativa necessária para a disputa, pois o evento foi mal divulgado, mal programado e mal localizado também, o que nos leva ao próximo ponto.

Local do evento

Não sei como isso é decidido, provavelmente por dinheiro, como tudo no mundo, mas Londres nunca foi (e provavelmente nunca será) um palco do Counter-Strike como Cologne (Alemanha) e Katowice (Polônia). O país não tem tradição no CS, tem um pequeno cenário amador e uma comunidade bem reduzida se comparada a outros polos do cenário.

Prova disso foi a torcida presente nas fases finais. A grande maioria era de países vizinhos que foram acompanhar o evento e torcer para times do coração. Dinamarqueses, provavelmente, eram os mais presentes, junto com suecos, poloneses, ucranianos e russos.

Torcida

Público em Londres no FACEIT Major 2018 (Foto: HLTV)

Outro problema causado pelo local do evento foi a torcida que não trouxe a emoção necessária aos jogos, a adrenalina que um Major precisa. O britânico já é conhecido por ser frio, isso só ficou evidente no torneio, que contava apenas com alguns torcedores de países vizinhos que apoiavam e gritavam pelo time.

Para comparação, basta ver o público dos eventos em Cologne, em Katowice e até mesmo em São Paulo e Belo Horizonte aqui no Brasil. Ambos os eventos em solo verde e amarelo foram de arrepiar a qualquer um que estava nos ginásios e até mesmo espectadores da stream.

Favoritismo

Um ponto impactante para a falta de interesse do público no evento, foi o amplo favoritismo que a Astralis tinha para vencer o Major. Todos sabemos que esse favoritismo se concretizou e os dinamarqueses se sagraram campeões do 13º Major do CS:GO.

Com a vitória do time mais esperado, sem nenhum problema, a Astralis atropelou todo mundo que entrou em seu caminho – especialmente a MIBR com 16-0 na Dust2 – confirmou o favoritismo em todas as partidas que disputou, principalmente nas fases de playoffs, com 2-0 contra FaZe, Liquid e Natus Vincere na final.

Astralis, campeã do FACEIT Major 2018 (Foto: HLTV)

Claro que o desinteresse não é culpa da Astralis. Fizeram valer a soberania dos títulos que antecederam o evento e conquistaram também o Major. Temos que analisar o desempenho dos concorrentes ao título, que nenhum vivia ótima fase nem para bater de frente com a Astralis, quanto mais ganhar dos dinamarqueses.

Outros fatores e conclusão

Já escrevi um artigo sobre várias outras mudanças que o Major precisa para voltar a brilhar – leia aqui – e todos esses fatores não foram levados em conta pela produtora FACEIT no último mundial do CS.

Datas, locais, premiação, itens do mercado, formato de disputa, entre outras coisas, expliquei no artigo anterior todas as alterações que a Valve deveria implantar o mais rápido possível para que o Major seja Major, como sempre foi.

mibr em atuação pelas quartas de final do FACEIT Major (Foto: HLTV)

Um ponto que desanimou os brasileiros em especial, foi a falta de identificação de alguns com a MIBR, pela line-up ter dois americanos e um técnico sérvio. Fãs e até “analistas” reclamam desta formação, da tag “Made In Brazil” não ser representada por jogadores apenas brasileiros, mas não foi o principal ponto de lacuna no acompanhamento, foi apenas uma gota em todo um copo cheio de decepções por parte da organização do evento, pois a MIBR fez um bom trabalho no evento, até mais do que era esperado, conseguiu o status de Legend e foi até a semifinal, ao perder para a vice-campeã Natus Vincere.

O que os Majors precisam para serem sucesso são fatores simples e fáceis: apoio da comunidade e da Valve e organização por parte das produtoras. Sem isso, os mundiais nunca serão os mesmos que foram antigamente.

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