Opinião: 2022 pode ser o ano da FURIA no CS:GO

Foto: Reprodução/João Ferreira

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Cairo Barbosa é historiador e professor. Apaixonado por Counter-Strike desde 2001, acompanha o cenário profissional de CS:GO e às vezes se aventura em análises de dados, times, partidas, torneios e jogadores. Sempre aberto às críticas.

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Em parceria com o The Clutch, comecei a produzir alguns textos de análise da situação dos times brasileiros de CS:GO que vão passar por mudanças para 2022.

No primeiro deles, falei sobre as possibilidades de reconstrução da 00Nation para a próxima temporada.

Hoje vamos falar sobre a FURIA.

Evolução na era online

A FURIA firmou-se, nos últimos dois anos, como a melhor equipe brasileira de CS:GO do mundo. Em determinado momento, por volta de outubro de 2020, o time chegou a figurar no top 3 do ranking da HLTV. Foi um período realmente mágico, mesmo em se tratando de boas atuações no cenário online, decorrente do isolamento social fruto da pandemia da Covid-19.

Eventos da FURIA na era online em 2020 contra times do top 30 (Foto: HLTV.org)

No ano de 2020, a FURIA venceu alguns torneios, como DreamHack Masters NA, Dream Hack Open Summer NA, IEM New York e o qualify da ESL Pro League Season 12 NA. Além dos títulos, a perfomance do time foi sensacional. Com uma line formada por arT, VINI, yuurih, kscerato e HEN1, comandados por guerri, a equipe atingiu seu auge técnico e tático e, em grande medida, chegou a encantar o mundo com estilo de jogo agressivo e ousado. Os três últimos jogadores mencionados, inclusive, apareceram no top 20 HLTV divulgado em janeiro do ano seguinte.

Em 2021, com mudanças no elenco (saída de HEN1 e entrada de junior; saída de junior e entrada de honda; saída de honda e entrada de drop) e o retorno de alguns torneios presenciais, as ótimas atuações não se repetiram, exceto no Elisa Invitational Summer 2021, torneio de menor expressão que a equipe conquistou em julho, e no PGL Major Stockholm 2021, no qual chegou aos playoffs e foi eliminada nas quartas de final pela Gambit.

No dia 25 de novembro, guerri anunciou nas redes sociais da organização a saída de VINI da equipe por “opção técnica” e “tática”. Fala-se também na possibilidade de drop não permanecer no core titular. Tudo isso tem uma razão: a FURIA quer chegar ainda mais longe. Ao perceber que nesse ano o time passou por uma estagnação, a organização decidiu investir mais ainda para reforçar a escalação.

As mudanças estão sendo duramente criticadas por parte da torcida nas redes sociais. Muita gente torceu o nariz para elas, mas nesse texto, vou tentar mostrar como o raciocínio da equipe técnica é não somente coerente, como pode indicar a virada que falta para a FURIA chegar e se consolidar de vez no topo do cenário internacional.

As novas peças

Antes de mais nada, diferentemente do que escrevi em relação à 00Nation, a FURIA não precisa de adições no staff. Além de guerri, o melhor coach brasileiro nos últimos anos, o time tem tacitus como coach assistente e Bernardo como performance trainer. Nesse aspecto eles estão muito bem servidos.

Segundo notícias recentes, a equipe deve manter a base com arT, kscerato e yuurih, um trio de ouro. ArT pelo estilo de jogo único e agressivo, mas também por ter uma leitura tática bastante peculiar; ksc e yuurih pelo poder de fogo e pela capacidade técnica de decidir partidas, além da constância.

Mas quem serão os outros dois players? Segundo o ge, para a função de AWP a equipe vai tentar a contratação de saffe, da paiN. O jogador de 26 anos, com passagens por New England Whalers e Paquetá Esports, tem incrível 1.27 de rating acumulado, além de um impact de 1.32.

Rating 2.0 de saffe nos últimos torneios, online ou presenciais. Fonte: HLTV.org

Muita gente considera que saffe não seria uma boa opção a longo prazo por conta da idade já avançada. Defende-se, por exemplo, que seria melhor contratar zevy, da Sharks, por ser uma jovem promessa com mais tempo de carreira pela frente. É uma leitura plausível, mas é preciso atentar-se para o discurso de guerri quando do anúncio da saída de VINI: a FURIA quer vencer o mais rápido possível! A ideia é simples: com kscerato, yuurih e arT no auge de suas formas técnicas, é fundamental contratar mais duas peças que cheguem e consigam performar de cara, não a longo prazo.

Por isso, saffe é de fato a melhor opção hoje. O player da paiN está pronto para atuar no tier 1 mundial e, pelo estilo de jogo mais cadenciado, pode ser o encaixe perfeito que faltava para um time que é essencialmente explosivo.

Por falar nisso, o quinto player, segundo report do site Rush B Media, pode ser chelo, que até pouco tempo estava no banco do MIBR, mas voltou ao time titular recentemente. Considerado um dos melhores jogadores brasileiros dos últimos anos, ele tem 1.12 de rating acumulado em 2021, além de 1.26 de impact, considerado um número excelente.

Rating de chelo contra equipes do top30 hltv em 2021. Fonte: HLTV.org

Por conta de problemas de saúde, chelo foi afastado do core titular do MIBR e deu lugar a JOTA. Agora, com a volta, é possível imaginar que a organização vai fazer jogo duro para liberá-lo. Caso não seja possível contratá-lo, a FURIA terá que ser criativa e muito “mão aberta”. Na minha perspectiva, sem chelo, os melhores nomes seriam Lucaozy (Sharks) ou malbsMd (TeamOne).

Estatísticas de Lucaozy em 2021. Fonte: hltv

Com essa nova escalação, a FURIA pode ter um time mais equilibrado e ajustado. ArT e chelo/malbs/lucaozy seriam os jogadores mais agressivos, responsáveis pelas primeiras trocações e pela abertura de espaço. Com yuurih e kscerato o time terá poder do fogo, trade kill e, sobretudo, capacidade de decisão de clutches. E nisso eles são fundamentais, dado que os Furiosos notabilizam-se por ser uma das equipes do mundo que mais recupera rounds após a perda da first kill. Para fechar, saffe, com estilo mais passivo, pode dar trazer um equilíbrio e atuar também como suporte ao estilo avassalador do time.

O ano da FURIA?

Se de fato essas negociações se concretizarem, vou arriscar aqui uma previsão: dentre os times brasileiros, 2022 será o ano da FURIA! Na escalação com HEN1 e VINI, faltava ao time mais um jogador agressivo capaz de buscar espaços e abrir brechas com arT. Apesar das performances incríveis e do melhor nível que atingiram, a line se desfez e não foi possível vê-los lutar de igual para igual com os times europeus de nível mundial.

Por isso, guerri e a comissão técnica optaram por reformular o elenco. Nessa nova escalação, as funções in-game vão ser melhor exercidas por cada jogador, sem precisar que alguém se sacrifique. Haverá, finalmente, um equilíbrio entre agressividade e passividade, entre velocidade e morosidade, entre um jogo mais acelerado, como é típico da FURIA, e a possibilidade de tornar o game mais cadenciado e estruturado. É desse jeito, aliás, que jogam os melhores times do mundo hoje.

Pelo menos no papel as peças parecem se encaixar perfeitamente. Assim, 2022 pode ser o ano da FURIA.

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