v$m e Valve: de ideia não troca?

Com o fim de 2019 e o encerramento dos eventos dentro do cenário de CS, para as merecidas férias dos jogadores, comumente ocorrem avaliações da performance de times e dos jogadores sobre seus desempenhos individuais durante o ano. É inquestionável que nomes como ZywOo, s1mple e dev1ce estariam na lista dos 20 melhores feita anualmente pelo portal HLTV, e assim como muitos arriscaram anteriormente, estes iriam compor o top 3.

Mesmo com o dinamismo do cenário brasileiro em relação a troca de players e campeonatos, o portal Draft5 propõe também um ranking de avaliação, semelhante aos moldes da HLTV, para analisar os destaques do cenário brasileiro. Para este ranking, nomes como Biguzera e v$m já eram esperados no top 10 e até disputando a 1ª colocação do ranking, como de fato ocorreu (veja aqui a lista).

As expectativas sobre os dois nomes citados dentro do cenário brasileiro são sempre altas, principalmente pelos seus desempenhos acima da média e bem reconhecidos pelo público. Imaginá-los disputando grandes campeonatos é algo até inevitável, já que há o histórico de sucesso e superação dos brasileiros dentro do cenário internacional de CS.

Entretanto, há uma grande barreira para v$m, um dos principais nomes do cenário, uma vez que o jogador possui uma relação com uma conta banida pelo tão conhecido VAC (Valve Anti-Cheat), que, segundo as regras aplicadas pela Valve, não permite por tempo indeterminado a participação em seus eventos.

A grande discussão que é levantada de forma recorrente é: esse tipo de punição é justa?

A história do ban

A então recém surgida estrela da DETONA Gaming, no ano de 2018, já tinha seu potencial comentado antes mesmo de entrar na equipe em julho daquele ano. Sempre chamando atenção pelo seu desempenho, v$m e seus companheiros vinham em uma boa crescente, tentando se consolidar entre as boas equipes do cenário. 

Assim como os outros elencos do cenário nacional, v$m e a DETONA haviam acabado de disputar o qualificatório aberto em busca da sonhada vaga no Minor das Américas, porém mal sabiam eles que essa provavelmente seria a última oportunidade de fazer isto juntos. Isso porque a ESL havia aberto uma investigação para apurar um vínculo de v$m a uma conta Steam banida pelo VAC .

A conta que era investigada pela ESL possuía um VAC Ban datado de quase 5 anos quando veio a tona. A conclusão da investigação veio em um pouco mais de uma semana e a relação foi confirmada entre o jogador e a conta banida. Mesmo confirmada essa relação, a ESL entendeu que não seria necessário aplicar uma punição ao player. No entanto, a Valve aplicou sua punição de tempo indeterminado. Assim, v$m estava impedido de participar de qualquer torneio organizado pela desenvolvedora. 

A notícia vinha como uma bomba para o cenário, afinal uma jovem revelação com 19 anos, na época, estaria impedido de disputar o maior evento que ocorre no calendário do CS: o Major. Personalidades do cenário logo levantaram a tão conhecido hashtag “#Freev$m”, afinal punir por tempo indeterminado um jogador por um erro cometido com 13 anos de idade soava, e continua soando, uma punição exagerada.

A equipe da DETONA ainda tentou recorrer para mudar a ideia da Valve, mas isto não surtiu efeito e jogador continuou então banido.

Outros Casos

Não é possível negar que a luta contra os cheaters tem sido uma briga incansável desde as primeiras versões do Counter-Strike. Até mesmo no cenário profissional, essa briga ocorre buscando sempre o confronto justo. Casos como o do francês KQLY, do sueco emilio (que foi banido pelo VAC no meio da partida), ou até mesmo do indiano forsaken (que foi pego em LAN), são famosos por se tratarem de players que representavam organizações profissionais em seus cenários, e ainda assim optaram por em algum momento “experimentar” estes programas auxiliares.

Ainda que o status desses jogadores citados acima seja o mesmo de v$m perante a Valve, não é possível dizer que as situações foram as mesmas. Utilizar de programas auxiliares estando inserido no cenário competitivo é uma situação completamente diferente de ter uma conta banida aos 13 anos de idade, antes mesmo de ter uma perspectiva de que fosse existir um cenário competitivo local.

A esperança é a última que morre

A análise das diferentes perspectivas de cada caso se faz necessária e as próprias organizadoras de eventos como ESL e DreamHack entenderam isso em 2017.

Anteriormente, elas seguiam as diretrizes da Valve e não permitiam a participação de jogadores com contas banidas. Porém, ESL e DreamHack delimitaram em 2017 os tempos de punições, variando de acordo com a infração cometida e a gravidade do caso (cheat, match fixing e etc.).

O caso de v$m não é único, e provavelmente não será o último já visto. O finlandês Jamppi, que recentemente teve seu nome especulado e descartado pela OG, também tem uma conta banida, quando ainda possuía 12 anos de idade.

Jamppi, atualmente no banco da SJ, sofre com sua possível ligação com uma conta VAC – Imagem: DreamHack

Em entrevista recente, s1mple, astro da Natus Vincere ex-melhor do mundo, admitiu que já fez uso de cheats quando era mais novo, mas na versão do CS 1.6. Inclusive, ele foi punido pela ESL por ter tentado “esconder” esse ban (punição ocorrida de 2014 a 2016).

Agora, a pergunta ao leitor deste artigo: você já imaginou que “desperdício” seria não ter um nome como s1mple ou ZywOo disputando um Major por um erro cometido no passado? Bem, após um primeiro ano avassalador de ZywOo, com s1mple muito próximo, é possível dizer que seria até um “pecado”.

Mesmo que até aqui a Valve tenha sido pouco comunicativa com os times e também com a comunidade de CS em geral, em algum momento verá que cada caso é diferente do outro quando se trata do cenário competitivo. Adaptando a frase tão conhecida de v$m, quem sabe um dia a Valve “de ideia não troca”.

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. É preciso verificar a idade permitida para jogar os jogos no país onde foi originado o Ban, pois se jogo não é permitido para determinada idade dai é ônus da desenvolvedora realizar a política de fiscalização.

    Se ele não poderia nem sequer jogar o game pelas regras da desenvolvedora como será possível querer responsabiliza-lo por tempo indeterminado?

    A medida que a desenvolvedora tem certos direitos ela passa a ter certas obrigações também, como a de fiscalização.

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