Opinião: o que os esports podem aprender com o caos de Taylor Swift no Brasil

Fotos: Eva Rinaldi/Wikimedia e Riot Games

Pela primeira vez para shows no Brasil, a cantora norte-americana Taylor Swift era aguardada por uma legião de fãs que a esperava desde 2020, quando suas apresentações no país foram adiadas por conta da pandemia de COVID-19. No entanto, a forte onda de calor e a má organização da empresa responsável pelo espetáculo fizeram a passagem de Taylor virar um verdadeiro show de horrores.

Infelizmente, a primeira apresentação de Taylor Swift no Brasil, que aconteceu no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, foi manchada pela morte de uma fã. Segundo o divulgado por um boletim da prefeitura do Rio, Ana Clara Benevides Machado, de 23 anos, teve parada cardiorrespiratória e, apesar do esforço da equipe médica que a atendeu prontamente, não resistiu.

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Durante o show, foram relatados inúmeros casos de desmaios e até a própria cantora interrompeu o espetáculo para pedir que a organização do evento fornecesse água para alguns fãs que estavam passando mal.

Diante disso, o Brasil, que cada vez mais vem recebendo campeonatos internacionais de esports, pode — e deve — aprender com toda essa situação infeliz.

Uma tragédia que poderia ter acontecido no VCT LOCK//IN

Em março deste ano, São Paulo, mais precisamente o Ginásio do Ibirapuera, foi palco do VCT LOCK//IN, competição internacional de VALORANT. Um calor tão contundente como o registrado atualmente pelos termômetros marcava presença no estado. E dentro da arena, a pouca quantidade de aparelhos de ar condicionado transformou o local em uma verdadeira “sauna”, como descreveu o jogador norueguês Emir “rhyme”, capitão da equipe europeia Giants.

A Riot até instalou alguns aparelhos de ventilação no ginásio, mas eles não foram suficientes para conter o calor intenso do local.

Em fevereiro, o local será o palco do Six Invitational 2024, um dos maiores torneios de Rainbow Six Siege do mundo. No entanto, após os problemas enfrentados em eventos anteriores, os fãs estão preocupados com a segurança e o conforto do público.

Uma das principais demandas certamente é a instalação de um sistema de refrigeração mais amplo e eficiente.

Atenção ao calendário 

Como já diz a letra da música famosa, moramos em um “país tropical” onde as estações do ano podem brincar com a população, sobretudo em São Paulo. No entanto, algumas épocas do ano já são tradicionalmente conhecidas por ser períodos secos e quentes, como é o fim do outono.

Dessa forma, é indispensável que as organizadoras de eventos usem as previsões meteorológicas para montar planos específicos para as datas mais quentes.

Além disso, aqui vão algumas dicas simples, mas que podem ser preciosas para os fãs que precisam enfrentar temperaturas elevadas durante os espetáculos.

  • Água! Beba bastante água;
  • Uma toalha molhada em torno do pescoço pode ajudar a amenizar a sensação de calor intenso;
  • Use roupas leves e evite consumir alimentos muito gordurosos antes e durante o show ou evento;
  • Por fim, caso esteja se sentindo mal, procure ajuda da equipe médica do local. Lembre-se de que você precisa estar bem para aproveitar esses e muitos outros eventos.

Comunicação ágil 

No último sabádo (18), os fãs, depois de horas de um teste de sobrevivência ao calor nas filas, foram informados já dentro do Estádio Nilton Santos que o segundo show da Taylor Swift no estado seria adiado, por conta das condições climáticas.

Levando em conta a situação infeliz que aconteceu na apresentação anterior e a temperatura ainda mais alta registrada pelos termômetros, esse adiamento seria algo aceitável, se tivesse sido comunicado de maneira mais rápida, não instantes antes do show e com os fãs já dentro do local para a apresentação.

Extremamente desapontados, muitos deles chegaram a disparar críticas até mesmo à cantora norte-americana, que, segundo relatos, teria pedido o adiamento desde a véspera, mas travava uma disputa com a organizadora do evento, a T4F, que por sua vez, tentou até o fim manter a data do show.

A lição que fica dessa situação é que a comunicação precisa ser ágil e transparente, e as partes envolvidas precisam respeitar os fãs, que, em muitos casos, estão vivendo o dia mais importante de suas vidas.

Segurança dentro e fora do evento

Uma das maiores queixas dos fãs que foram curtir os shows recentes aqui no Brasil foram os chamados “arrastões”, furtos coletivos que, na maioria dos casos, visam os celulares das vítimas. Para combater essa violência, é preciso que a segurança particular do evento trabalhe de forma intensiva e em conjunto com a força policial do estado.

Além disso, é preciso garantir que o interior do evento seja um local mais seguro para todos, inclusive para os profissionais que trabalham no evento. Durante o IEM Major Rio 2022, a fotógrafa Adela Sznajder, que estava trabalhando para a ESL, teve seu equipamento furtado.

Câmera internas no local poderiam ter inibido o criminoso e até ajudado em sua identificação. Além dos fãs, é preciso também garantir a segurança dos profissionais envolvidos no evento.

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Foto: Michal Konkol/ESL Gaming via ESPAT

Por fim, acredito que a grande lição que fica é que não é preciso esperar uma tragédia acontecer para agir. Temos muitos exemplos do que funciona, do que melhorar e como tornar a experiência de todos melhor. Portanto, colocar isso em prática é uma questão de planejamento e, claro, força de vontade.

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