LoL: STrigi Manse promove campeonato para pessoas trans

Não é novidade alguma que o cenário de League of Legends é um dos, se não o maior considerando sua importância, mais deficitários em quesitos de inclusão de mulheres e minorias em seus campeonatos.

Felizmente, parte da comunidade nega-se a ficar calada por mais tempo: junto com a influencer trans Sher Machado, a organização de somente 8 meses STrigi Manse está promovendo sua primeira iniciativa para 2021, a Copa Rebecca Heineman.

Em uma entrevista exclusiva para o The Clutch, a corujinha se pronunciou de maneira acolhedora e animada, feliz por estar sendo notada por uma causa tão boa. Com mais de mil compartilhamentos e unindo times, a iniciativa espera lançar mais times de pessoas trans no cenário. O torneio está marcado para acontecer dia 29 de janeiro, no Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Abriremos portas, custe o que custar

“Eu sempre ouvi no cenário sobre público alvo que as marcas e organizações tinha públicos alvos e que ele é masculino, sempre me questionei se a maioria do cenário era realmente homens cis brancos ou se existiam mais pessoas que também gostam de games e apenas estão “escondidas” tanto pelo preconceito tanto pela negligência das empresas e organizações em buscar atingir mais públicos”, disse Lay, uma das responsáveis pela assessoria.

Ela também completou que “nosso objetivo é atingir esse público que os outros escolhem não ver, queremos mostrar que tem sim players e audiência que está sendo escondido. Não mais”.

+Riot Games revela planos para uma Liga Feminina de VALORANT
+Você conhece a Superliga Brasileira da Diversidade?

O debate da falta de inclusão já é velho e exaustivo, mas não no sentido de que ele já foi imposto tantas vezes e aceito, mas sim que as próprias minorias estão cansadas de implorarem por notoriedade.

É um debate antigo, estressante e desanimador, justamente pela falta de resultados. O maior exemplo está em VALORANT onde, com poucos meses de existência, já tem a perspectiva da criação de uma liga feminina. Já em League of Legends, jogadores homossexuais tem receio de se assumirem publicamente.

Iniciativa Rebecca Heineman

Para conhecer a ideia, precisa-se sentir o poder do nome por trás dela. Rebecca Heineman é uma veterana da indústria de jogos, designer de videogames de sucesso e programadora autodidata, que tem em seu nome projetos como The Bard’s Tale III: Thief of Fate e Dragon Wars. Ela também é ativista, assim como o nome responsável pelo projeto, Sher Machado, a Transcurecer.

Sher Machado, idealizadora do campeonato. Créditos: STrigi Manse

“Quando convidei a Sher para ser nossa streamer, fizemos uma ligação para conversar sobre nossos planos para 2021 e ela citou que gostaria de criar um torneio para o público trans, não binário e travesti, mas não sabia como. Achei a ideia muito boa e abracei o projeto: eu e a equipe fizemos um esboço inicial e apresentamos para ela, que foi nossa guia durante o processo. A ideia do nome também foi dela e, quando fiquei sabendo da história da Rebecca, tive certeza que esse seria o melhor. Combinamos que a STM faria a parte de administração do campeonato e ela faria a parte de apresentar para o público.”

O post já conta com mais de mil compartilhamentos e mais de duas mil curtidas, além de um servidor do Discord com a proposta de formar times para o torneio. Youtubers, streamers e influencers já se uniram pela causa, algo que a representante alega “não ter esperado”.

Sobre a STrigi Manse

“Nós não queremos ser apenas um time de esports, a STrigi é uma ideia, uma ideologia que qualquer um pode fazer parte. O cenário não vai mudar apenas tendo lineups com representatividade, é preciso mudar a cabeça dos mais conservadores. Nosso objetivo é normalizar a presença de pessoas “diferentes” num âmbito que ainda é muito marcado pelo público masculino cis. Não queremos que essas pessoas não achem que “estamos invadindo seu espaço” e sim que todo mundo apenas gosta de jogos e quer participar.”

+“Muitas mulheres não conseguiram ter espaço em outros jogos”, diz Letícia Motta sobre a presença feminina em VALORANT
[Opinião] Ligas Femininas não devem ser a jornada final para as mulheres nos esports

Não sendo o primeiro evento (e nem o último) da marca, elas não permitem nem mesmo que o esgotamento financeiro as impeça de realizar seus projetos, já que “a STrigi é feita por pessoas que nunca tiveram oportunidades no cenário algumas por sexualidade, outras pro identidade de gênero, e até mesmo pela cor de pele”. Reiterando as palavras da própria representante, isso é ridículo.

Espera-se que 2021 seja mais brilhante por mais iniciativas como essa e que finalmente as empresas abram seus olhos para a audiência que estão marginalizando e escondendo. O campeonato abrirá suas inscrições dia 5 de janeiro. Terão três dias de disputas intensas, com transmissão via Twitch e com premiação em dinheiro e periféricos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas notícias